Futebol e planejamento (ou a arte de planejar o jogo)
10 de julho de 2009 | por admin | Publicado em Planejamento | 2 Comentários
Como sou o menos experiente entre os que frequentam esse grupo, vou tratar do assunto planejamento não do ponto de vista do próprio, mas sobre a ótica de uma das minhas paixões, o futebol (na verdade a paixão pelo meu Cruzeiro consegue ser maior até que a do futebol…).
Então, como seria esse profissional de planejamento se fosse um jogador de futebol? Levando em conta que o atendimento é o goleiro do time – aquele cara que leva bucha de todo lado e quando o time faz gol ninguém vai lá traz para comemorar com ele – e os criativos são os caras que fazem esses gols, penso que o profissional de planejamento é o volante.
Vou tentar defender minha ideia:
Um planejamento, assim como um volante, é pago para ter uma boa visão do jogo e, a partir daí, distribuir a bola. Ambos devem adotar uma postura de liderança, uma vez que são pagos para tomar decisões. Quando vacilam, a zaga fica desguarnecida – e nesses casos, invariavelmente, o vacilo é perigo de gol.
O planejamento é, assim como o volante, o carregador de pianos, aquela pessoa humilde o suficiente para dar um chutão e com o mínimo de técnica para fazer com que o passe chegue redondinho ao centroavante (sim, a tarefa não é fácil).
O planejamento deve ser aquele jogador que sabe marcar território: tem que ter uma certa dose de agressividade e deve estar ciente de que, em caso de um passe errado ou bola roubada, compromete o time todo – sua função dentro de campo pode determinar o sucesso do time.
Assim como o camisa 5 ou 8 (primeiro ou segundo volante) do time, o profissional de planejamento deve estar atento a tudo o que acontece à sua volta: precisa prestar atenção aos sinais da defesa, saber conduzir a bola para os meio-campistas e ficar de olho nas roubadas de bola que a defesa do adversário possa vir a fazer junto ao ataque do seu time.
Ele precisa entender o momento de recuar e jogar junto da defesa – e aqui, meu amigo, não cabe frescura: ele tem que jogar no estilo dos volantes old school, ou seja, meter o bico na bola e mandar pro mato – e capacidade para partir com a pelota para o ataque e arriscar um chute de fora da área – em casos de marcação cerrada.
São vários os estilos desses volantes e a maneira como conduzem o jogo. Entre eles posso destacar a garra do ex-capitão Dunga, a atenção de Jon Steel, a calma e controle do Newton Nagumo, a técnica apurada e a velocidade de Ramires (do meu Cruzeiro querido), o estilo inovador do Rapha Barreto, a sobriedade ao conduzir a bola de Carolinna Mello e a perspicácia do José Lucas (discípulo do Alphen).
Dos citados acima, vejo características comuns a todos eles: humildade para dar um carrinho no adversário – sair para o campo, descobrir o que as pessoas estão comentando, sujar a camisa -, para entender que embora o seu passe tenha sido açucarado quem marcou o gol foi outro (trocando em miúdos: o estrelismo aqui não é bem vindo) e a capacidade de admitir erros, além de muita perseverança e vontade de aprender (é só lembrar a trajetória do capitão Dunga que, quatro anos após ser execrado em uma copa do mundo, levantou a taça nos EUA).
O profissional de planejamento deve ser vibrante, apaixonado mas, ao mesmo tempo, centrado – para ser honesto, acho que a função do planejamento beira o limite entre o bom senso e a esquizofrenia. Assim como a função de um bom volante.















julho 13th, 2009 at 10:28 (#)
Só uma pergunta, quem é o autor deste artigo?
novembro 14th, 2009 at 12:28 (#)
Salve Bruno, tudo bom? Esse texto foi escrito pelo Mineiro… Um abraço