• Home
  • Sobre GPA PR
  • Vagas
  • Contato
  • Categorias
    • Advertising
    • Atendimento
    • Info
    • Opinion
    • Planejamento
    • Sem categoria
    • Virais
    • Viral
  • RSS

Planejamento Estratégico Digital – parte 2

5 de março de 2010  |  por Minas |  Publicado em Opinion, Planejamento

Na segunda parte do bate-papo com o planner – e autor do livro Planejamento Estratégico Digital – Felipe Morais, os temas abordados são os possíveis caminhos para o twitter, a presença das marcas nas redes sociais e os próximos passos do marketing digital: a TV digital e a comunicação móvel.

Uma das ferramentas que mais ganham popularidade na internet é o twitter. Você consegue identificar a razão (ou razões) desse fenômeno de 140 caracteres?

As pessoas gostam de falar e ser ouvidas. As Redes Sociais permitem isso há um tempo, mas o Twitter ganhou muita força por causa do celular. As pessoas podem postar “estou indo ao Shopping Morumbi” no caminho do shopping.

É possível fazer isso no Orkut, Facebook, Hi-5, Sonico também, mas o Twitter é mais rápido. Os meios de comunicação usando essa ferramenta também ajudaram no seu crescimento, as pessoas começaram a seguir a Folha Online no Twitter; descobriram que um amigo tinha Twitter, começaram a seguir; esse amigo seguia pessoas legais, eles começaram a seguir e assim foi.

Eu recebo em média 5 novos seguidores no meu perfil (@plannerfelipe) por dia. Quando escrevo algum artigo chego a receber uns 15. Uma vez, escrevi sobre o poder do Twitter no site CHMKT, em um sábado de noite e recebi 70 novos seguidores no domingo!

As Redes Sociais estão deixando as pessoas muito vulneráveis e isso é preocupante, mas por outro lado elas querem isso, querem ser seguidas, querem se sentir queridas. O Twitter permitiu isso e, agora, é um caminho sem volta. Não vejo uma outra ferramenta ter esse sucesso, mas também, em 2004, ninguém achava que o Orkut ia perder o posto de grande projeto da web. Veio YouTube, Facebook, Twitter…


388390489


Ainda sobre o twitter, dias atrás conversei com um amigo que trabalha com marketing digital e ele prevê um cenário não muito otimista para o twitter. Na sua opinião, quais os caminhos possíveis para a ferramenta?

Eu penso o contrário. Vejo o Twitter como algo que veio para ficar. Claro que é preciso ter um modelo de receita, pois até agora investidores colocaram dinheiro no projeto – e sem retorno. É uma mídia com 40 milhões de pessoas ativas no Brasil – o MSN tem essa base e lucra muito alto -, acredito que quando o Twitter achar um modelo de receita tão efetivo como o MSN ele terá vida longa.

Não acredito em morte de mídias. Assim como a velha discussão de que a TV não matou o rádio e o DVD não matou o cinema, Facebook não matou o Orkut, o MySpace não matou o Facebook, o Gtalk não matou o MSN… o MSN matou o ICQ porque esse parou no tempo, mas agora quer voltar com tudo.

Por serem gratuitas, as pessoas tem perfis em várias Redes. Eu mesmo tenho perfil em várias (www.meadiciona.com/plannerfelipe).

Muito se fala sobre a necessidade de uma forte presença nas redes sociais como ponto chave para o posicionamento de marca, troca de experiências e evangelização dos consumidores, mas o que se vê, de fato, são séries de tentativas que derrapam. Quais são os pontos chaves para um relacionamento duradouro e que possam representar, de fato, algum retorno palpável para as marcas? Você pode nos citar alguns exemplos de empresas brasileiras que usaram as redes e que obtiveram vendas ou mesmo reconhecimento para as suas marcas?

O conceito de presença digital que expliquei acima tem em um dos seus principais pilares as Redes Sociais. Vivemos em um mundo que as pessoas acreditam 80% no que as outras dizem e apenas 20% no que veem na TV ou no Jornal.

Quando entramos na faculdade de publicidade, passamos 4 anos estudando muito sobre a profissão para entender que a melhor propaganda é o boca-a-boca – e as redes só potencializaram essa propaganda.

Antes, você era maltratado em uma loja ou ficava muito satisfeito com um produto e contava para 5 ou 6 pessoas – isso entre família e amigos. Hoje, você fala para milhares. Imagina uma pessoa com 800 seguidores no Twitter, 300 amigos no Orkut, 200 amigos no Facebook, com um blog que tem 3 mil acessos por mês. Imagine agora essa pessoa postando no seu blog que foi mal atendido pela loja X do Shopping Y e mandando esse link no Twitter, Facebook, Orkut. Agora imagina se 30% dos seus seguidores retransmitirem esse link (e pode acreditar, coisa errada eles retransmitem mesmo!!!). Tá aí o tamanho do problema da marca.

Uma empresa de cadeados para bicicletas perdeu milhões de dólares nos EUA por causa disso. Um jovem descobriu que com uma tampa de caneta ele poderia abrir o cadeado. Postou isso no YouTube e o vídeo viralizou. A marca não tomou nenhuma atitude e perdeu em poucos dias milhões de dólares em vendas.

A marca precisa ser TRANSPARENTE, HONESTA e entender que ela está nas redes para CONTRIBUIR E SE RELACIONAR e não apenas para vender. Marcas que entram em comunidades apenas para oferecer produtos são mal vistas. É preciso estar ali para conhecer o seu consumidor e se relacionar com ele.

As pessoas seguem pessoas para se relacionar e não para lhes vender coisas. As marcas devem seguir o mesmo princípio.

CONTEÚDO relevante é fundamental também. As pessoas seguem marcas ou instituições atrás de conteúdo. Se a marca não gera isso, ninguém vai seguí-la.

Sempre cito a Tecnisa como a melhor empresa com presença de web no Brasil. Em 2009 ela vendeu 2 apartamentos pela web e essas vendas viraram cases. O primeiro foi com a palavra “gravides” (com S mesmo) – que gerou uma venda de um apartamento de 350 mil reais. A outra ação foi a venda de um apartamento de 500 mil reais via Twitter. Hoje, 30% do faturamento da Tecnisa, que é uma das 5 maiores construtoras do país, é via web.


Temos duas marcas de muito destaque em mídias digitais, Fiat e Bradesco, muito disso por conta do perfil de seus diretores de marketing (João Ciaco e Luca Cavalcanti, respectivamente). Você poderia citar outras empresas brasileiras com esse perfil e dizer o que têm feito nesse sentido?

Na resposta acima citei a Tecnisa, pois acredito ser a melhor empresa que trabalha a web no Brasil. Poderia citar a Coca-Cola e as empresas da B2W (Submarino.com, Americanas.com, Shoptime.com), mas ainda vejo essas empresas investindo muito mais em mídia online do que na web, propriamente dito.

Vejo compras de espaços (banners) em home de portal, programas de afiliados, Links Patrocinados etc., mas pouca ousadia – como patrocinar um game, por exemplo.

Acredito que a web é excelente para o mercado de imóveis, alimentação, telefonia, educação, moda e automóveis, mas que sua utilização ainda está tímido no país frente às inúmeras possibilidades.

Você citou Fiat e Bradesco por terem diretores inovadores, que acreditam na web e eu concordo, mas “dói” saber que essas cabeças brilhantes investem em web, por ano, o que gastam em 15 dias na TV; dói mais ainda ver 95% dessa verba ir para grandes portais e links patrocinados. A web é mais que isso! É presença digital! Apesar de que tenho que dar os parabéns ao projeto Presença do Bradesco, criado para o iPhone. Muito inovador!

Defendo o aumento de verba para a web, e defendo que web não é apenas mídia e links patrocinados!


Existe uma leva de profissionais de comunicação e marketing que pregam o fim da publicidade tradicional e a migração de verbas para outros formatos – em particular o ambiente digital – e uma outra que considera que as coisas vão mudar muito pouco nos próximos 5 ou 6 anos. Qual sua posição nesse contexto e o que você imagina que irá acontecer no curto e médio prazo?

Não sou tão radical, mas a mudança é certa. Hoje há muito mais pessoas na TV do que na web, mas há mais pessoas na web do que em jornais e revistas. Não entendo como a verba para a web ainda é pequena, mas o mercado age assim por diferentes motivos, e não cabe aqui a discussão.

Os jovens são da geração Y, nasceram na web. São os chamados nativos digitais. Explique para um garoto de 15 anos que na idade dele (tenho 30) eu não tinha celular, iPod, Internet e câmera digital; que eu pagava conta no caixa e não pelo Internet Banking. Ele não vai acreditar.

Esse jovem com 15 anos será o decisor das marcas daqui a 10, 15 anos. Ele saberá que a sua geração é mais impactada pela web do que pela mídia tradicional e, aí sim, acredito na inversão de verbas, sendo 70% para web e 30% para o offline, e isso não é nenhuma futurologia: na Inglaterra, desde 2006, a web já é o carro-cehfe dos investimentos, mas infelizmente no Brasil as coisas demoram para acontecer. Que a web será o carro-chefe dos investimentos será – não sei se em 5 ou 6 anos, mas em 10, com absoluta certeza.


Última: fala-se muito na internet mas no formato mais tradicional que conhecemos, utilizando o computador como ferramenta, mas a discussão sobre suas variações – como a TV Digital e os meios móveis, como celulares, por exemplo – ainda não alcançaram grande relevância. Quais os possíveis cenários futuros para esse meios. Qual a melhor maneira de explorar cada um deles?

Presença digital! Esse é o futuro.

A TV Digital ainda não decolou no país porque alguém não quer. Temos tecnologia, mercado, potencial de consumo… mas acredito que em 3 ou 4 anos a TV Digital terá muito mais força do que hoje, inclusive para a interação onde as pessoas vão, sim, poder comprar produtos que estão sendo usados no programa, como por exemplo a camisa do galã da novela.

Já o celular, eu discordo, pois alcançou sim, enorme relevância. Em um país com 195 milhões de pessoas, temos 173 milhões de celulares. A penetração de Smartphones só cresce. Recentemente li uma matéria que a classe C está aumentando a compra de  celulares com recepção de TV Digital. É a convergência de mídias. A classe AB prefere Smartphones pela facilidade de acesso a e-mails e internet, eles usam para trabalho, enquanto as classes CD, para diversão. Mas todos usam!

Vejo a convergência de mídia como algo que vai crescer muito no Brasil. Vejo cenários positivos e as marcas que abram os olhos: se a sua presença digital for fraca, a do seu concorrente talvez não seja.


Felipe Morais é publicitário, autor, palestrante, professor e blogueiro. Autor do livro Planejamento Estratégico Digital (Ed Brasport) e do Blog do Planejamento (plannerfelipemorais.blogspot.com). Mediador da 1ª rede para Planners Digitais no Brasil (pedigital.ning.com)



Planejamento estratégico digital – Parte 1

26 de fevereiro de 2010  |  por Minas |  Publicado em Opinion, Planejamento  |  1 Comentário

Comecei a trocar e-mails com o Felipe Morais no ano passado, assim que soube que ele estava prestes a lançar um livro sobre planejamento digital. De lá pra cá, mantivemos a troca de e-mails e iniciamos a de tweets. Também acompanho o seu blog e já tinha lido algumas de suas entrevistas para veículos digitais. Decidi fazer minha solicitação para essa entrevista – que foi prontamente atendida – mesmo sabendo que não tenho o menor jeito para a coisa. O resultado desse bate-papo você confere abaixo.


Felipe, queria que você iniciasse esse bate-papo contando um pouco sobre sua experiência profissional e falando também dos cases que você considera os mais importantes na sua carreira.

Comecei a minha carreira de web em 2002 na extinta Canal4 Multicomunicação. Na época eu era um estagiário e apenas tratava as fotos dos sites da empresa, mas já começava ali a minha paixão por essa ferramenta.

Passei por outras agências onde destaco a Publicis Brasil, Full Tecno, Navigators, A1 Brasil, CappuccinoDigital, Salles Chemestri, NeogamaBBH, FTPI e a atual Casanova. Nessas agências, com excessão da Publicis – onde eu era assistente de mídia para a conta da Nestlé, eu sempre trabalhei com internet, com foco em planejamento e mídia.

Comecei com planejamento digital na Full Tecno e de lá comecei a desenvolver vários trabalhos. Meus maiores destaques vieram na A1 Brasil, CappuccinoDigital, FTPI e Casanova.

Na A1 Brasil participei da construção do portal da Allianz Seguros, uma das maiores seguradoras do mundo, fui o planner da 1ª campanha 100% digital da Pirelli Pneus (2006), com vendas de mais de 15 mil pneus no período de 3 meses e uma das primeiras campanhas a contar com estrategias de Redes Sociais, usando um vídeo no YouTube para uma ação viral, que teve enorme sucesso.

Na CappuccinoDigital tenho o meu melhor planejamento como destaque. A agência conseguiu uma reunião com o então gerente de marketing digital da Coca-Cola, mas não queríamos ir de São Paulo ao Rio apenas para mostrar uma apresentação e portifólio da agência, queríamos mostrar o nosso potencial. Escolhemos o Energético Burn como “produto-modelo”.

Sem brief, sem saber nada da marca, fiquei 10 dias imerso no produto e montei um planejamento estratégico digital de como a agência trabalharia a marca na web durante o ano de 2007. Na própria reunião, a agência conquistou a conta do energético.

Na FTPI eu montei um plano de marketing digital, para levar a maior representante de veículos do país, com mais de 30 anos de mercado ao mundo digital, montando a unidade de negócios com foco em representação de mídia digital e desenvolvimento de projetos especiais. Além do planejamento, conquistei mais de 20 veículos para a carteira da empresa, com destaque para o Game KickOff (Ongame).

Na Casanova eu lancei o Puma Lift (tênis mais leve do mundo) no Brasil. Fui ousado fazendo uma campanha com Redes Sociais que alguns publicitários recriminaram. Fiz um concurso entre os blogs, sendo que aqueles que dessem mais acessos ao site ganhariam uma camiseta e um boné da marca, depois mudaram para uma jaqueta que custa em média 250 reais nas lojas. Convidamos mais de 300 blogs e 40 participaram ativamente da ação.

Entretanto um pequeno problema ocorreu, porque um blog não entendeu muito bem a jogada, publicou um post falando mal da ação. Esse post foi parar em outro blog e me deu muita dor de cabeça por 2 dias, mas depois esses blogs me deram direito de resposta, eu dei a cara para bater e isso ajudou a minha imagem.

Hoje eu mantenho uma excelente relação com os 2 blogs, mas voltando ao case, em 1 mês o site obteve 85 mil page views, 44 mil unique visitors, mais de 5 mil cadastros (nome, telefone, cidade, e-mail, loja preferida, endereço) e mais de 1,3 mil depoimentos, sendo que apenas 5 falaram mal do produto, mas que em uma troca de e-mails pessoal, 3 mudaram de opinião, algo excelente para a marca.

Eu fiz questão de responder pessoalmente – como Puma – a cada um dos depoimentos, o que gerou algo positivo para a marca. Nesse mês de ação, conseguimos acabar com o estoque do produto nas lojas Centauro (única loja que vendia o produto e que foi uma importante parceira na ação).

Outra ação interessante na Casanova foi levar a JBS-Friboi, maior frigorífico do mundo para a web e iniciar o seu trabalho de presença digital. Em 3 meses triplicamos os acessos aos sites das marcas que trabalhamos.

Quem conhece um pouco do seu currículo sabe que você trabalhou com planejamento em agências tidas como tradicionais e, posteriormente, em agências digitais. Quais os pontos de similaridade e os que mais destoam de um formato para o outro?

Na verdade eu trabalhei com planejamento apenas em agências digitais. Na Publicis eu era mídia, entretanto muitas pessoas me questionam sobre essas diferenças, não vejo diferenças tão gritantes, o que eu vejo são respostas ao cliente diferentes.

Todo o processo de planejamento é o mesmo, planners entendem de CONSUMIDOR, o que eles desejam, o que pensam, como compram, como agem.

Claro que nós como especialistas que trabalhamos e estudamos o tempo inteiro sobre esse comportamento entendemos que a mesma pessoa tem um comportamento no digamos “mundo offline” e no online e aí está uma grande diferença: como “atacar” esse público!

A resposta que ele dará na web ele não dará no mundo offline e vice-versa, ou seja, o processo de planejamento é o mesmo – pesquisa, análises, entender o consumidor, mercado, concorrência, o que está acontecendo no mundo – porém as respostas a tudo isso são diferentes e por isso as estratégias também serão.

Costumo dizer, para ilustrar tudo isso, que as marcas sonham que seus públicos interajam com ela, isso é importante para os dois, e na web essa interação é muito mais forte e presente do que em uma loja física.

Seu livro, Planejamento Estratégico Digital, lançado no ano passado, tornou-se, num curto espaço de tempo, uma fonte de pesquisa e referência para os profissionais que atuam no setor. A que você credita esse fato?

Quem larga na frente tem preferência. Quando eu começei a querer entender e me aprofundar mais no planejamento estratégico digital, eu busquei livros e cursos e não achei nada, apenas um curso no Igroup, que fui logo fazer.

Percebi então que ia ter que ser na “raça” meu aprendizado, com tentativas e erros. Fui fazer o curso do Bootcamp de planejamento de comunicação, mas não se falou nada de web. Foi então que me veio a idéia de juntar tudo o que eu já tinha visto de planejamento teórico em cursos (sou pós-graduado em planejamento estratégico de comunicação; especialista em planejamento de comunicação e especialista em planejamento de projetos web), lido em livros de planejamento, como A arte do planejamento (John Steel) e Google Marketing (Conrado Vaz) e em diversos seminários que eu tinha ido em um único documento para me auxiliar no planejamento. Montar um documento para mim mesmo. Tive uma grande “mestra”, a Cristiane Lindner, minha ex-gerente na A1 e grande amiga até hoje que me ensinou muito de planejamento, mas não via nada teorico.

Desse passo, veio a ideia do livro.  Pesquisei em diversas lojas e nenhum livro abordava o tema, percebi uma crescente das agências em montar equipes de planejamento então vi ai um gap muito bom. Mandei um release para mais de 40 editoras, 5 me responderam que assim que o livro estivesse pronto eu poderia mandar para avaliação.

A Brasport (www.brasport.com.br) desde o começo foi parceira, me ligou no dia que eu mandei o e-mail e por telefone fechou comigo. Em uma semana assinamos o contrato e começei a trabalhar. A Brasport é tão parceira que eu já indiquei um outro autor para eles e esse ano estou com mais 2 projetos apalavrados, um sobre Redes Sociais e um sobre E-Branding, mas esse eu vou ser co-autor, pois meu amigo Marcelo Trevisani é um expert no assunto e vou ajudá-lo a escrever um livro sobre o tema, mas com a Brasport!

Depois de lançado eu começei a divulgar nas Redes Sociais e a ser convidado para dar palestras em várias cidades do Brasil, notei que o mercado fora de São Paulo é muito rico em profissionais, mais carente de informação.

Há muitos jovens talentosos com muita vontade de fazer acontecer, mas muito medo dos anunciantes, então muitos usam meu livro para mostrar a importância do planejamento na construção de marcas e que web não é apenas um site.

Fico feliz com os e-mails que recebo elogiando o livro. Respondo a todos com o maior prazer. Com muitos leitores, tenho feito uma amizade bem legal onde estamos trocando diversas informações.

Sempre que alguém me manda um e-mail ou no Twitter (@plannerfelipe) diz que comprou meu livro, peço feedbacks para estreitar o relacionamento. Tenho a filosofia de que a cada dia aprendemos mais com os outros e tem muita gente espetacular aqui no Brasil.

Em um dos e-mails trocados antes dessa entrevista você disse que o seu novo mantra é presença digital. Explique o que é esse conceito e como se dá sua aplicação.

Ah sim, esse é o meu vício agora.

Eu sempre acreditei que o site é apenas a ponta do Iceberg. O mundo digital é muito vasto. O consumidor não está no site da marca, a marca é que deve estar onde o consumidor está.

Isso é presença!

O mundo digital é muito maior que o “www” que conhecemos. Homens e mulheres de 30 a 40 anos, classe ABC (quem não quer esse público???) são os que mais jogam games online no Brasil; 67% de todos os usuários do Orkut no mundo estão no Brasil; Em Janeiro de 2009 haviam 550 mil brasileiros inscritos no Twitter; em Dezembro de 2009 já passava dos 10 milhões, com o país sendo o 2º em números de usuários; 90% dos usuários de Internet usam o Google, sendo que desses 85% não passam da 1ª página. Desde 2007 o Brasil tem o maior número de usuários ativos no MSN, passando hoje dos 40 milhões. A home do UOL recebe em média 4 milhões de unique visitors por dia; 40% dos acessos a web via celular são do iPhone. Os maiores acessos ao Google e ao YouTube são do Brasil. Surge um blog a cada segundo no mundo e as pessoas acreditam mais em blogs do que em uma notícia na home do Terra.

Entende porque a marca precisa do conceito Presença Digital?

Porque o seu consumidor está jogando um game no Banana Games, está baixando um aplicativo para seu iPhone, está deixando de ler o Estadão para ler o Estadao.com, usa mais o Facebook e Orkut para falar com seus amigos do que e-mail, enfim, a cada dia surge uma nova ferramenta na web.

O Brasileiro é desde 2007, o povo que mais fica navegando na web em todo o planeta, é um apaixonado. Ele olha uma nova ferramenta, experimenta e continua usando. Se uma marca quer falar com esse consumidor, talvez – depende muito do produto, mas marcas voltadas a jovens já devem estar percebendo isso – seja melhor fazer uma ação na web do que um comercial na Rede Globo.

Quem tem na família um jovem de 12 a 17 anos, sabe o que estou falando.

Tenho primos nessa idade e eles passam a tarde no computador. Estão baixando e ouvindo MP3, no Google pesquisando sobre um trabalho de escola, no MSN conversando com amigos, no Gtalk fazendo o trabalho que estão pesquisando no Google, postando algo em seus blogs, atualizando as Redes Sociais com as fotos do final de semana, tudo isso ao mesmo tempo.

Um amigo me contou de um estudo que fizeram na China com um jovem, igual aos meus primos. Se esse jovem fizesse uma coisa de cada vez (primeiro baixasse música, depois as ouvia, depois pesquisava no Google, depois postava no Blog…) ele levaria 4 dias para fazer o que faz em um.

Esses jovens daqui 10 anos serão os decisores de empresas e quem vai movimentar a economia do país. O que vai impactá-los mais, o blog do Kibeloco ou o comercial na Novela das 20h?

Presença digital é o futuro da comunicação e eu quero, mais uma vez, ser um dos pioneiros nesse conceito.

Obs. a entrevista com Felipe Morais será dividida em dois posts, sendo que a segunda parte está prevista para o dia 05 de Março.

Felipe Morais é publicitário, autor, palestrante, professor e blogueiro. Autor do livro Planejamento Estratégico Digital (Ed Brasport) e do Blog do Planejamento (plannerfelipemorais.blogspot.com). Mediador da 1ª rede para Planners Digitais no Brasil (pedigital.ning.com)


O ovo ou a galinha?

10 de fevereiro de 2010  |  por Chris Monteiro |  Publicado em Opinion, Planejamento, Viral

Uma discussão muito interessante, quase filosófica, sobre o planejamento e os efeitos da comunicação é a seguinte: até que ponto é possível planejar a viralização de mensagens e quanto dela acontece naturalmente?

Temos dezenas de livros que ensinam técnicas para encontrar as pessoas certas, montar ideias que se destaquem, atraiam e mantenham a atenção das pessoas, guias para encontrar mais gente que procure pela sua mensagem, discussões sobre pequenas iniciativas que trazem mudanças enormes, e por aí vai. Juntando tudo isso, certamente a marca sai na frente da massa que insiste em fazer telemarketing às oito da manhã para pedir doações de caridade, ou que continua planejando a comunicação acreditando que o consumidor vai, mesmo, prestar tanta atenção ao comercial de TV que vai conseguir entender um MUB enigmático.

Mas a discussão vai além disso tudo. Uma mensagem pode ser viralizada mesmo que seja enviada por mídias convencionais. Por outro lado, mesmo que o formato seja absolutamente inusitado, isso não garante o sucesso.

Planejadores podem propor ações virais. Pessoas podem iniciar a viralização por conta própria. Mas, em qualquer dos casos, para funcionar, a mensagem precisa ser absolutamente relevante e – atenção, clientes! – o produto precisa sustentar a promessa.

O vídeo a seguir fala sobre isso. Ele não é exatamente novo – tem mais de 3 anos – mas continua muito válido.  E, de tempos em tempos, ao ver tentativas de viralização meio forçadas (que, mesmo quando não envolvem o Twitter,  têm rendido  um rápido #FAIL nos TTs), acho que vale voltar ao assunto.

Texto por Chris Monteiro


Que posicionamento de marca, que nada! Isso é negócio.

5 de fevereiro de 2010  |  por Fabio |  Publicado em Info, Opinion, Planejamento  |  1 Comentário

Gal Barradas*

Já ouvi milhões de conversas, li dezenas de artigos e livros sobre planejamento. E a impressão que eu tive é que quase todos eles falam em uníssono sobre o valor das marcas, sobre a construção das marcas, e quase nunca em vendas.

Tenho paixão pelas marcas, e por isso mesmo trabalho para mostrar aos clientes a importância e a necessidade da construção delas. O que não concordo é que isso não esteja profundamente ligado ao tilintar das máquinas registradoras.

Gente, isso é negócio. E se construímos marcas apetitosas, construímos para gerar vendas, produzir lucro para o nosso cliente. Simples assim.

O que me chama a atenção é que hoje eu vejo um tsunami de planejadores e dos planejamentos produzidos por eles colocando como a mais importante linha condutora somente o posicionamento clássico da marca, sem a ótica do negócio. E as palavras mágicas, e de extrema relevância que são vendas e lucros quase nunca são citadas.

“Ah! Isso é varejo!” Gritou o planner ingênuo.
Sinto desapontá-lo, amigo, você está errado. Planejamento de comunicação faz parte de um planejamento de marketing que faz parte de um planejamento de negócio. Veja: o conceito moderno para objetivo da empresa é “gerar valor sustentável para as marcas e seus acionistas”. O que significa gerar valor sustentável para o próprio negócio. Os planejadores precisam entender que o nosso trabalho faz parte de uma engrenagem, e que o seu trabalho faz parte de algo maior e mais complexo. E por isso mesmo, é tão importante.

Temos que levar em conta não apenas as pesquisas, a comunicação dos concorrentes e a nova realidade multiplataforma; temos que olhar também e atentamente o preço do produto, sua distribuição, equipe de vendas, qualidade do produto e/ou serviço do cliente, enfim todo o ecossistema.

A conversa dos corredores repetem que a propaganda, as agências de propaganda não têm hoje a mesma importância que tinham anos atrás. Mas isso é verdade para quem? Isso só é verdade se não criamos, não produzimos, não entregamos um trabalho relevante para o cliente.

E ser relevante, na maioria das vezes, não é ser original ou, como está na moda, “pensar fora da caixa”.  Ser relevante é em primeiro lugar cuidar do que já está dentro da caixa. Se o seu cliente, o Diretor de Marketing ou o Presidente, não entende do assunto, não reclame, traga o assunto pra ele.  Se a equipe do cliente só tem “júnior”, ajude a fazê-lo entender. Veja bem: a gente fala tanto pros nossos clientes que temos que ouvir o consumidor, engajar o consumidor e a gente não vai fazer o mesmo? Tratar da mesma forma o nosso próprio consumidor, que é o anunciante?  Se o cliente quer – a grande discussão atual – saber o roi dos esforços de comunicação, quer mensurar ações de marketing, siga junto, crie junto com ele uma metodologia, ou descubra com ele que existem coisas na vida que são imensuráveis, coisas assim como amor, consideração, simpatia etc. E que estas coisas também possuem valor real apesar de serem difíceis de mensurar. E preste atenção! A maior parte desse trabalho é realizado pelo Atendimento (não me canso de repetir, acho esse nome péssimo!…) e pelo Planejamento, não pela Criação. Os profissionais destes dois departamentos possuem hoje uma responsabilidade muito maior do que anos atrás. Têm a responsabilidade de aumentar a relevância das suas empresas junto aos seus clientes. Hoje ser relevante não é só papel da criação publicitária, é papel de todos.

Mas por que escrevo esse artigo? Escrevo porque nos dias de hoje a disciplina do planejamento possui uma importância enorme no negócio da comunicação. O planejamento tem a função de organizar o não exato, imaginar uma tese que seja relevante em um mundo cheio de histórias, teses e lendas. Muitas vezes, tem um trabalho mais complicado ainda, que é criar um discurso simpático e relevante para um produto sem graça.

O problema é que eu sinto que os planners – uma parte deles, é claro – ainda não entenderam completamente a sua relevância, e que é preciso fazer mais do que faz hoje. Hoje, a maioria dos profissionais ainda se preocupa apenas com o mundo da comunicação e da construção de posicionamentos de marcas.

Estão certos, mas ficam no meio do caminho. É preciso ter visão de empresário, de marketing e não apenas uma visão publicitária. E que no seu maldito, mas sempre necessário PowerPoint, tão importante quanto as palavras posicionamentoe marca devem estar, precisam estar, as palavras negócio, vendas e lucro.

*Gal Barradas é Vice-Presidente de Negócios e Gestão de Marcas do Grupo TV1. gbarradas@grupotv1.com.br

Era da imoderação

2 de fevereiro de 2010  |  por Chris Monteiro |  Publicado em Info

Excesso de informações, conexões, expectativas, demandas, novidades… como lidar com isso e administrar o tempo enquanto não aumentam as horas do dia?

Texto de Ronaldo Bressane

– Que eu faço? Meu filho me escancarava os olhos azuis fervilhando dúvidas. Era sexta-feira à noite, estávamos em casa relaxando depois de uma semana febril. Do meu lado, mantinha meu olhar ocamente suspenso sobre a pilha de livros que haviam chegado. Meu filho de 7 anos tinha ultrapassado cinco dias de aula e lições, curso de italiano, treinos de futebol, sessão de acompanhamento pedagógico, fora as atividades extracurriculares na própria escola, de filosofia construtivista – que aproxima aprendizado e diversão. “E agora, o que faço?”, eu me perguntava, espiando a pilha de livros que havia colecionado durante a semana só para chegar àquele momento tão sonhado em que afinal pudesse editar eu mesmo o meu caos particular – e ainda por cima mergulhar no caos do meu filho.

– Ah, sei lá, moleque… vai brincar!

E Lorenzo desapareceu atrás de uma pilha de Lego.

Se até uma criança de 7 anos confunde horário livre com horário de obrigação, imagine você, cujo dia se espraia entre dever e lazer. A não ser que seu ofício seja braçal ou burocrático, os limites entre coisa e loisa estão cada vez mais indefinidos – atire o primeiro mouse quem destinar a seu e-mail um uso mais corporativo do que como pinball de papo-furado. Na Era do Excesso, os limites são fluidos entre trabalho e prazer, oferta e demanda (tanto de obrigação quanto de diversão), realidade e virtualidade, vida social e vida privada (o que, no caso dos políticos, costuma ser grave). Para quem trabalha com publicações de todo tipo, às vezes pegar num livro detona no corpo reações estranhas, alérgicas – como se aquele maravilhoso exemplar da nova edição da Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, se transformasse de repente num cartão de ponto a martelar nos tímpanos um enigmático “Você está atrasado, você está atrasado!”.

“Faz parte da natureza humana aprender a lidar com limites. A atual cultura digital, entretanto, apresenta novos desafios no que diz respeito a estabelecer, burlar e equilibrar a relação com limitações”, reflete o músico e pensador de cultura digital Gustavo Mini Bittencourt. “A cada dia, cerca de meio milhão de pessoas acessam a internet pela primeira vez. A cada minuto, 13 horas de vídeo são disponibilizadas no YouTube. Está se configurando um cenário no qual, em breve, muitos terão acesso a uma abundância virtual que não teve, não tem e nunca terá paralelo no meio físico. Muitos de nós nunca teremos tantos carros, roupas, imóveis e dinheiro quanto uma elite privilegiada. Mas todos logo poderemos ter tantos livros, vídeos, jornais, músicas e revistas quanto quisermos, devido à digitalização da produção, distribuição e consumo da informação. Desse ponto de vista, estamos adentrando no que alguns especialistas chamam de Era da Abundância”, conclui Mini.

“O inventário das maravilhas que a vida pode oferecer são muito agradáveis e satisfatórios”, afirma o sociólogo polonês Zygmunt Bauman em Modernidade líquida, para logo em seguida ressaltar: “A suspeita de que nada do que já foi testado e apropriado é duradouro e garantido contra a decadência é, porém, a proverbial mosca na sopa. O mundo cheio de possibilidades é como uma mesa de bufê com tantos pratos deliciosos que nem o mais dedicado comensal poderia esperar provar de todos (…). A infelicidade dos consumidores deriva do excesso, e não da falta de escolha: ‘Será que utilizei os meios à minha disposição da melhor maneira possível’ é a pergunta que mais assombra e causa insônia ao consumidor”, analisa Bauman. A metáfora culinária é ainda usada pelo filósofo francês Gilles Lipovetsky, que, à Era do Excesso, prefere demarcar nossa época com seu oposto, a Era do Vazio: “O self-service e o atendimento a la carte designam o modelo geral das sociedades contemporâneas, que veem proliferar de modo vertiginoso as fontes de informação, abrindo-se cada vez mais o leque de produtos expostos nos centros comerciais e nos hipermercados tentaculares, nas lojas ou nos restaurantes especializados. Assim, a sociedade pós-moderna se caracteriza por uma tendência global de reduzir-se a atitudes autoritárias e dirigistas e, ao mesmo tempo, a aumentar a oportunidade de escolhas particulares, a privilegiar a diversidade e, desde já, a oferecer fórmulas e ‘programas independentes’ nos esportes, nas tecnologias psicanalíticas, no turismo, na moda casual, nas relações humanas e sexuais”, afirma Lipovetsky.

A quantidade de opções no grande restaurante por quilo da contemporaneidade faz com que, em vez de fome, sintamos fastio – como meu espreguiçante filho e seu “o que é que eu faço?”. Lembro-me bem da época em que era tão difícil conseguir novidades da música alternativa: tinha de vagar entre as lojinhas das grandes galerias, do centro de São Paulo, e implorar aos vendedores que vendessem uma fitinha K-7 (lembra?) com os últimos sucessos do pós-punk londrino… E passava meses tentando decifrar as letras, imaginando como seriam os músicos, desvendando com emoção seu obscuro sentido. Hoje, é possível baixar os últimos sucessos do pós-rock canadense em meio segundo – os sucessos que semana que vem já serão esquecidos em favor das novidades do pós-eletrônico francês, que na semana seguinte vão perder a vez na fila para as loucuras da pós-polka polonesa… me contendo para não soltar um bocejo enquanto leio as letras, postadas em algum site hospedado em um servidor indonésio. Saudade dos tempos de caça ao tesouro. Mas: “Todo sistema com abundância de um elemento leva à escassez de outro. A abundância de informação leva à escassez de atenção”, releva Mini Bittencourt. “Temos uma vasta oferta e uma fome interminável, porém uma capacidade cada vez mais limitada de prestar atenção e investir tempo no consumo de todo esse manancial a nós ofertado. Estamos à frente de um banquete, beliscando rapidamente um pedacinho de tudo que nos põem à frente, maravilhados com a variedade e quantidade de sabores, mas perigando perder lentamente a noção de desfrute”, adverte o ciberpensador. A indigestão do excesso tem suscitado três epidemias. A mais leve atende pelo singelo nome de transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). A desatenção leva à propalada síndrome da falta de memória. A mais pesada epidemia ganha o nome de melancolia – vulgarmente chamada (e medicada) como depressão.

RITALINA PARA TODOS
O símbolo infotecnológico de 2009, ou ao menos no segundo semestre deste ano que passou (na Era do Excesso, é bom datar os fenômenos com precisão), é o serviço de microblog Twitter. Como afirmam os inteligentes humoristas (sim, uma coisa não exclui a outra) do grupo Massaroca, “o Twitter é a bandeira de uma geração com déficit de atenção”. Pensava nisso outro dia, almoçando com uma amiga. Enquanto conversávamos sobre trabalho (e talvez estivéssemos pensando em outra coisa), elogiávamos a comida e olhávamos à direita, à esquerda, por sobre o ombro um do outro, sapeávamos o celular, que a cada minuto piscava com mensagem, e-mail,tweet. Por um instante, um instante muito breve, eu sei, tive saudade daquele tempo em que tudo o que importava era somente o quente olhar da minha amiga – que jamais seria enquadrado em 140 caracteres. Mas logo pensei em outra coisa… e o instante bateu asas e voou.

O TDAH, que desde os anos 1950 medica com fartas doses de Ritalina as crianças que parecem ter formigas nos popôs, virou a doença da moda. Nada de novo, na real. “No elevador penso na roça, na roça penso no elevador”, versejou Drummond sobre nossa eterna insatisfação. É que, adrenalinada por gadgets bacanudos, onipresentes mídias sociais e amigos sempre antenados, a insatisfação virou o status quo, o modus operandi, a condição sine qua non (na expressão favorita do presidente Lula). E dá-lhe diagnóstico: “O DSM -IV diferencia três tipos de sintomas de TDAH”, explica Psicopatologia – Uma abordagem integrada, de David H. Barlow e V. Mark Durand, um útil guia para desvendar o DSM –IV, a quarta e mais recente edição do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, a bíblia norte-americana que orienta a psiquiatria (e a farmacologia) mundial. “O primeiro tipo é a desatenção: os portadores parecem não escutar as demais pessoas; não prestam atenção a detalhes, perdem coisas, cometem erros por falta de cuidado. O segundo sintoma é a hiperatividade, que envolve inquietação, dificuldade de permanecer sentado. O terceiro sintoma, a impulsividade, inclui dar respostas abruptas antes de as perguntas serem completadas e dificuldade para esperar a vez”, afirmam os autores. Em outras palavras, o déficit de atenção leva a outro conhecido sintoma da Era do Excesso: o desmemoriamento.

A cura prática para isso, transformando cada lobo insaciável por um assunto novo em uma fofa ovelhinha de olhar fixo, é, como se disse, a Ritalina, entre outros fármacos – até mesmo um neurocientista respeitado como o argentino/gaúcho Ivan Izquierdo, um dos maiores especialistas mundiais em estudo da memória, já sugeriu seus efeitos positivos. Durante entrevista à neurocientista Suzana Herculano-Houzel, balanceou: “A Ritalina tem efeito sobre a persistência da memória. Mas ainda não sei se tem algum efeito fora da persistência”, adverte o cientista, que ainda sugere não ser assim tão indispensável o uso de um medicamento – algo que tem virado mania até entre pessoas que não foram diagnosticadas com TDAH.

“A melhor maneira de as pessoas cuidarem de sua memória? Que fiquem calmos – e se perguntem: ‘Será que isso é mesmo necessário?’”, provoca Izquierdo. “Nossa memória está sempre funcionando o melhor que pode, mais do que isso não dá! Em geral, as drogas, sobretudo no tratamento do Alzheimer, são muito boas para quem tem a doença, mas na pessoa normal não têm efeito nenhum”, alerta. A advertência é um bom lembrete de que viver é prejudicial à saúde. Não tem remédio – conforme lembra o psicanalista Jorge Forbes em Você quer o que deseja?(esgotado): “A época atual, marcada por forte ideologia biologizante, quer transformar o carinho do avô que dizia ‘para tudo tem remédio’ em verdade científica (…)”. Forbes volta à carga e diz: “A menina apaixonada poderia corrigir, com medicamentos, o namorado capenga, transformando-o em um príncipe potente, magro e bem-humorado ao oferecer-lhe coquetéis repetitivos de Viagra, Xenical e Prozac. Ridículo? Médicos começam a ser agredidos em ambulatórios públicos quando se recusam a prescrever remédios, a seu ver, inadequados ao paciente e que, no entanto, lhe são exigidos; como se não dá-los fosse negar, ao paciente, uma felicidade de propaganda”.

Volto a lembrar que, embora a atual velocidade com que acessemos qualquer coisa – informação, bens, pessoas – não tenha paralelo na história da humanidade, o fenômeno da aceleração é velho conhecido. No belo O tempo e o cão, a psicanalista Maria Rita Khel recorre ao famoso ensaio do pensador alemão Walter Benjamin sobre o poeta francês Charles Baudelaire para abordar a depressão contemporânea. “A modernidade é o transitório, o fugidio, o contingente, a metade da arte, cuja outra metade é o eterno e o imutável… Para que toda modernidade seja digna de se tornar antiguidade, é preciso que a beleza misteriosa, que a vida humana ali coloca involuntariamente, tenha sido extraída dela”, escreveu o filósofo sobre o autor de Flores do mal. Conforme Maria Rita, “o heroísmo de Baudelaire não consiste em se fazer defensor da multidão fascinada e consumida pelas mercadorias e pelo trabalho braçal que a aproxima e afasta do brilho das mercadorias. Consiste apenas, o que já é muito, em descrer de tal fascínio”.

Maria Rita Khel relaciona a atualidade da depressão à adição pela velocidade excessiva: “A que se deve a pressa do sujeito contemporâneo? Não ao valor que ele atribui ao seu tempo, como costumamos pensar, e sim, ao contrário, à sua desvalorização. Pouco se questiona a ideia de que o valor do tempo se mede pelo dinheiro. O homem contemporâneo tem horror a tudo o que possa ser considerado perda de tempo, que, para ele, é sinônimo de perda de dinheiro. Walter Benjamin cita Paul Valéry: ‘O homem de hoje não cultiva o que não possa ser abreviado’”, diz a psicanalista. “Até mesmo o raro tempo ocioso deve ser preenchido com atividades interessantes – o que torna, do ponto de vista da psique, o uso do tempo livre idêntico ao do trabalho. É evidente o sentimento de mundo vazio, ou de vida vazia, que decorre da supremacia da vivência sobre a experiência. A falta de tempo para o devaneio e outras atividades psíquicas ‘improdutivas’ exclui exatamente aquelas que proveem um sentido (imaginário) à vida, assim como as atividades da imaginação, filhas do ócio e do abandono”, conclui – e aí fazemos outro elo na cadeia trabalho-lazer.

RELAXE
Na balada The Tourist, que fecha o clássico álbum Ok Computer, a banda inglesa Radiohead se espanta com a pressa por ver tudo, típica do turista – e nos faz pensar se, como um integrante de uma excursão, câmera na mão e mapa em punho, todos nós não estamos nessa vida mais como turistas do que como viajantes: “It barks at no-one else but me/ like it’s seen a ghost/ I guess it’s seen the sparks a-flowin/ no-one else would know/ (…) They ask me where the hell I’m going?/ At a 1000 feet per second/ Hey man, slow down, slow down/ idiot, slow down” (em tradução livre: “Ele late para mim, só para mim/ como se tivesse visto um fantasma/ Acho que deve ser por causa dos relâmpagos fluindo/ quem poderia saber?/ Eles me perguntam pra onde diabos estou indo/ A 1000 quilômetros por hora/ Ei, cara, relaxe/ idiota, relaxe”.

Relaxar, pegar leve, tirar onda, desacelerar – tudo isso faz parte da filosofia Slow, seguida tanto pelos japoneses do Clube da Preguiça, quanto pelos italianos do Slow Food, pelos espanhóis que retomam o hábito salutar da siesta após o almoço e pelos ingleses que inventaram um curiosoSlow Sex. No livro-manifesto Devagar, o jornalista escocês Carl Honoré reflete que as crianças são as maiores vítimas da orgia de aceleração. “Vivem tão ocupadas quanto os pais, permanentemente consultando agendas cheias de compromissos, que vão das aulas particulares depois da escola a aulas de piano e partidas de futebol. Os psicólogos especializados no tratamento de adolescentes que sofrem de ansiedade estão com as salas de espera cheias de crianças de não mais que 5 anos, acometidas de problemas gástricos, enxaquecas, insônia, depressão e distúrbios de alimentação. Em muitos países industrializados, os suicídios de adolescentes vêm aumentando. O que não surpreende,

Considerando-se a pressão que muitos sofrem na escola”, afirma Honoré. É verdade que, com dúzias de contas para pagar, a pressão dos colegas competitivos e as demandas por novos estilos de prazer façam com que diminuir o ritmo de vida seja uma utopia agrária. Ninguém aqui vai ser ingênuo e acreditar que seja possível voltar atrás: a velocidade dos avanços tecnológicos tende a progredir exponencialmente – pelo menos até um AVC tecnológico não ocorrer, a Lei de Moore, em vigor há mais de 30 anos, segundo a qual a cada 18 meses a capacidade de processamento dos computadores dobra, enquanto os custos se mantém constantes, permanece como uma determinística infalível. Mas enfim, sempre se pode pensar em brechas. “É bem verdade que certas manifestações da filosofia Devagar – a medicina alternativa, os bairros exclusivamente para pedestres, a carne de gado que pasta livremente – não se adaptam a todos os orçamentos. Mas a maioria delas, sim. Passar mais tempo com os amigos e com a família não custa nada. Como tampouco caminhar, cozinhar, meditar, fazer amor, ler ou jantar à mesa, em vez de fazê-lo em frente à TV. A simples decisão de resistir à pressão para correr é absolutamente grátis”, reflete Honoré.

Não existe, como foi dito, um remédio específico para filtrar o excesso de estímulos sensoriais que nos assola. Cada um tem o seu truque. Em Diários de bicicleta, o músico e multiartista escocês-nova-iorquino David Byrne confessa que encontrou seu nirvana no prosaico uso da bike. No livro, mistura de autobiografia com ensaio multicultural e relato de viagem, Byrne conta a experiência de 30 anos levando o tempo “humanizado” da bicicleta a cidades tão diferentes quanto São Francisco, Manila, Berlim, Londres e Buenos Aires. “Não ando de bicicleta para todo lugar por ser ecológico ou digno de nota. Faço principalmente pelo senso de liberdade e êxtase. (…) Realizar uma tarefa corriqueira, como andar de bicicleta, coloca as pessoas em um estado mental não muito profundo nem envolvente. (…) Como alguém que vê grande parte da origem de seu trabalho e criatividade nessas borbulhas do subconsciente, acho que é uma boa estratégia para se fazer essa conexão: quando a mente consciente se distrai, o inconsciente assume o comando”, acredita Byrne. “O caminho mais inteligente não passa por demonizar a velocidade da evolução digital. O caminho mais inteligente é… prestar atenção”, contrapõe Mini Bittencourt. “Só isso já faz toda a diferença e transforma completamente qualquer experiência. A atenção, a presença do corpo e da respiração junto à mente (que, vagando indefinidamente não traz satisfação, só mais necessidade) são a peça de resistência contra o novo consumismo que trocou o dinheiro pelo déficit de atenção como pilar central de sua existência”, conclui o ciberpensador. Entre a distração esperta de Byrne e o minutinho da sua atenção pedido por Bittencourt, horas se passaram e eu passeei por meia-dúzia de livros. Do outro lado do meu MacBook, meu filho já construiu e destruiu meia-dúzia de carros, personagens e espaçonaves multicoloridos. De algum modo misterioso, eu no trabalho, ele no ócio, estávamos conectados, em harmonia. Para que mais? ©

UM TEMPO DIFERENTE

Se muitos adultos têm dificuldade de lidar com tantas necessidades modernas, as crianças – com menos defesas para “loucuras” – estão mais sujeitas a problemas nascidos de uma agenda cheia. “É uma questão muito séria, que precisa ser repensada. O tempo cronológico difere muito de pessoa para pessoa. Três horas para uma criança é uma faixa de tempo completamente diferente para outra criança e seus usos são diferentes também”, esclarece Sílvia Fichmann, educadora e sócia-diretora do portal Soluções Educacionais Inovadoras. De acordo com a educadora, a participação de pais, escola e da própria criança ou adolescente é fundamental. “Só assim a agenda dessas crianças e adolescentes vai poder refletir exatamente as necessidades deles”, defende. “Não podemos pensar como se todo mundo fosse igual. Temos que considerar o perfil individual de cada.” Para Sílvia, além de dividir com a criança que tipo de atividades elas querem ter durante o dia, é preciso que a agenda desses “pequenos adultos” preveja tempo livre, inclusive de sugestões. “Esse tempo será para essa criança ou adolescente decidir o que quer fazer dele. Se ela fica sobrecarregada e não tem esse escape, alguma parte do dia será prejudicada.” O respeito aos perfis leva a outro ponto defendido pela educadora: mesmo diante de tantos excessos para quem ainda está no “tempo de brincar”, como chamou a infância o poeta Torquato Neto, há casos em que uma agenda cheia é a solução. “Temos casos de crianças e adolescentes hiperativos que precisam estar o tempo todo em atividade. Nesses casos, uma agenda cheia é fundamental”, garante Sílvia. (Pedro Jansen)

Fonte: Revista da Cultura

Planejamento. Por Raphael Barreto da DPZ.

26 de janeiro de 2010  |  por Stachon |  Publicado em Planejamento

Muito loco e muito correto, Raphael Barreto, em entrevista exclusivíssima ao Stasabendo.com

Lá vai:

RaphaBarreto é Diretor de Planejamento da DPZ. Antes, da Loducca. Antes disso, trabalhou na Carillo Pastore EuroRSCG e Ogilvy. Antes disso ainda, trabalhou em marketing na Sony, Aiwa e Champagne Veuve Clicquot. Antes Antes Antes, foi de office boy até empacotador de livros (longa história).

1. Na sua carreira, o que mais influenciou para a posição de planejador que vc tem hoje no mercado brasileiro?

Entendendo, então, a pergunta como “o que te influenciou para ser planejador?”, vamos lá. (raphamala MODE ON)

Eu percebi, há muito tempo, que cada pessoa pensa diferente da outra (gênio!). Mas nem tanto (mais gênio ainda). Temos, sim, comportamentos de manada, mas também somos indivíduos. Há, portanto, pontos gigantescos de intersecção da nossa raça – instintos básicos e outras camadas – , mas distinções proporcionalmente abissais. Como na velha história de que uma banda é incrível pra mim e nada pra você. A fé de um, é a bobagem do outro e assim por diante. Isso me intriga deveras. Assim como o amor e a afeição – válido para marcas e produtos. Daí, encontrei um trabalho que posso pensar nisso (quase) o tempo inteiro. É ótimo.

2. Qual sua dica para gerar o melhor insight?

Entender que você é pequeno, medíocre até. Respeite sua ignorância. Planejadores se acham a coisa mais inteligente que já apareceu na propaganda, enquanto, pra mim, são a próxima onda de egotrips da propaganda. Salve-se. Criar é um ato de humildade e devoção. Mas respondendo de maneira menos polêmica, eu diria que um insight é gerado pela mistura de uma boa dose de paciência, curiosidade e obstinação. Li outro dia que Einstein, sim, era gênio, mas que se tornou imortal porque foi obcecado durante anos por uma única pergunta: o que é energia? (ou “o que era luz?”, não me lembro – enfim, são a mesma coisa em alguma esfera). O que quero dizer é: o melhor insight é fruto da sua capacidade de não desistir em encontrar algo realmente retumbante. A verdade é que você e todo mundo sabe quando está diante de algo assim. Mas as pessoas param antes, muito antes, daquele palavrão espontâneo e feliz (nunca vi ninguém falar “Eureka!” na minha vida). Enfim, a dica é: continue. Seu estômago te dirá quando você chegou lá.

3. Como a criação da agência enxerga seu papel no processo criativo?

Meu papel é ser mais um. Só. Alguém que não disputa um pedaço, mas que participa do todo. Outro jogo de palavras? Me explico: eu só tento ajudar o grupo inteiro a ver melhor as coisas, encontrar um jeito novo de olhar para a mesma coisa. Isso é difícil. Quando você só quer ajudar (e não disputar nada), as pessoas – até criativos – te aceitam no grupo. E pronto: você faz parte do processo criativo. Ah, e claro, ajuda quando eu não cago um montão de regras e respeito o trabalho dos outros. Eles são dedicados e obstinados. Respeite isso.

4. O que você curte fazer quando sobra tempo para não trabalhar?

Eu danço. Bebo. Beijo. Transo. Leio. Escrevo. Ando. Durmo. Visito minha mãe. O que você esperava?

Por: Stachon

Com a Palavra: Carlos Vilela do CHMKT

26 de janeiro de 2010  |  por Stachon |  Publicado em Advertising, Info, Planejamento

Ilustre amigo mineiro Carlos H. Vilela, concedeu entrevista rápida e exclusiva do CHMKT ao Stasabendo.com. Grande centro de informações do mercado de comunicação, o site bomba de forma muito democrática, tornando o conteúdo interessante e fácil.

Perguntas para Carlos:

1. Seu blog é um dos mais visitados pelo mercado brasileiro de propaganda e marketing. Qual sua dinâmica diária para manter esse conteúdo atualizado?

2.Carlos, qual o futuro do CHMKT? Você espera fazer uma marca de conteúdo? Uma escola?

3. Por que você fez a versão do CHMK em Inglês? Você acredita que os olhos do mundo estão virados para o Brasil também para o assunto propaganda e marketing?

4. Qual a sua opinião sobre os cases de planejamento do mercado do sul, incluindo Rio Grande, Santa Catarina e Paraná?

Repostas:

1 – Minha meta é colocar pelo menos um post de qualidade por dia, exceto nos finais de semana. É o mínimo. Geralmente consigo mais.

Não tenho uma rotina definida pra isso. Sempre que sobra um tempo e sinto vontade, eu escrevo algo – seja no horário de almoço, antes ou depois do trabalho, nos finais de semana. Varia muito. Assim, todo dia tenho material disponível. Ter uma boa reserva de conteúdo é essencial pra manter uma atualização tão pontual.

A definição de temas também não segue uma lógica. Muitas vezes falo sobre algo que estou pensando ou estudando no momento, e também sobre coisas interessantes que me contam ou que vejo em outras publicações. Além disso, recebo muitas sugestões de pautas, releases de agências, e outros materiais que me ajudam muito. Tenho também algumas séries com a participação de profissionais do mercado.

A única premissa é o conteúdo estar de acordo com a proposta do blog: ser um ponto de encontro de ideias e opiniões sobre marketing e comunicação.

2 – Tenho algumas ideias, mas nada concreto. Por enquanto, a visão é o blog é ser uma referência cada vez maior na área. É satisfatório saber que o conteúdo lá publicado tem sido útil pra muitos. Também tenho conhecido muita gente bacana pelo blog. Isso tudo já faz valer a pena.

3 – Não dá pra considerar o Brazilian Planner uma versão em inglês do CHMKT. Pode acontecer de postar textos iguais, mas a proposta é outra.

Tenho feito muitos bons contatos no exterior com as entrevistas e séries do CHMKT e, depois que o Paul Isakson e o Griffin farley me contaram que liam o blog usando um site de tradução, resolvi logo criar algo mais direcionado para o público lá de fora.

A ideia é mostrar algumas coisas interessantes que estão rolando aqui no Brasil, já que existe muito pouco sobre a publicidade brasileira em inglês e, praticamente, nada sobre nosso Planejamento. No entanto, é um trabalho mais livre. Não tenho um compromisso de postar com muita freqüência. No entanto, tem tudo pra, em breve, se desdobrar em algo mais interessante.

4 – Pra ser sincero, não conheço muito. Conheço algumas coisas da W3Haus, da Getz (no seu Youtube Channel), da Heads, da Jump!. Dá pra ver que tem muita coisa interessante rolando.

Na verdade, não sou um exímio devorador de publicidade. Acompanho o essencial, apenas. Zapeio nos intervalos, não freqüentando tanto blogs com as últimas campanhas, pulo as páginas de anúncios nas revistas. Gosto mesmo é de colaborar com o processo, fornecendo inputs e ideias.

Minha paixão é pela forma como as pessoas se comportam, sobre as relações sociais, sobre cultura. Gosto também de assuntos relacionados ao business, tecnologia, e de coisas que nada tem a ver (pelo menos aparentemente) com publicidade. Acho que isso fica bem claro no meu blog, onde há menos coisas prontas, e mais ideias diversas.

Por Stachon



Oportunidades de mídia viral.

12 de janeiro de 2010  |  por Renãn Serighelli |  Publicado em Opinion, Planejamento, Virais  |  1 Comentário

A gente nunca sabe se a viralização vai ou não acontecer. Mas existem pequenos detalhes que podem ajudar pra que isso aconteça. Este post não pretende criticar, dizer o que está certo ou não, apenas apontar alguns exemplos de oportunidades que foram ou poderiam ter sido bem utilizadas.

Caso #01

EA Sports, Tiger Woods e Levinator.

Levinator, um jogador de vídeo-game, percebeu um probleminha no jogo da EA Sports “Tiger Woods PGA Tour” onde o personagem Tiger Woods consegue dar uma tacada sobre as águas:

e apelidou a tacada de “Jesus Shot”.

A EA Sports, ao ver que o vídeo teve centenas de milhares de views, resolveu aproveitar, e, ao invés de ir contra, respondeu ao vídeo com um comercial em que o atleta realmente anda sobre as águas e dá a tacada.

Simples, certeiro e deixa planejadores e mídias de boca aberta.

Caso #02

Vivo, Palmeiras e Reidusunus22.

Uma mente muito atenta conseguiu perceber uma “jogada de marketing” muito interessante por parte da Vivo:

Não sei até que ponto esse vídeo que quase chega a 100 mil views é bom pra marca.

Mas o vídeo do “bug” no jogo de golf também não parecia nem um pouco interessante para a gigante dos games.

Caso #03

Claro, Gmax e ???

Em Santiago, no Chile, a Claro em parceria com a Sony Ericsson instalou o “GMAX” em um shopping classe A da cidade.

GMAX é um brinquedo que funciona como um estilingue humano em que até 3 pessoas são jogadas para o alto numa velocidade que chega a 100km/h em 2 segundos.

Dentro da gaiola, além das pessoas, tem uma câmera que grava todas as caretas, gritos e sustos das pessoas que estão lá dentro.

Esse vídeo, que pode ser comprado pelo participante por R$ 8,00, vem em DVD.

Até aí tudo perfeito.

O problema é que ele vem em um formato que poucos computadores reconhecem. E portanto, poucos participantes terão a chance de colocar seu próprio vídeo, estampado com a marca da Claro, no Youtube.

Encontrei alguns que conseguiram. Repare que os vídeos também não tem abertura e nem assinatura de nenhuma das marcas, e não porque os participantes editaram o vídeo, o filminho em DVD não vem com nenhuma assinatura.

http://www.youtube.com/watch?v=uWBdrac7HVs

http://www.youtube.com/watch?v=Apy4iFWDZZ4

http://www.youtube.com/watch?v=58BezUyqC-E

Bom, o que podemos afirmar com certeza é que essas oportunidades continuarão aparecendo enquanto o Youtube existir, e cada vez mais o público vai criar, gerar e disseminar seus próprios conteúdos. Esperamos que cada vez mais eles sejam incentivados e aproveitados.

Renãn Serighelli

Não pergunte ao seu cliente o que ele deseja. Enxergue o mundo com seus olhos.

27 de novembro de 2009  |  por admin |  Publicado em Opinion

Um dos principais dilemas do processo comercial: como diagnosticar o valor almejado pelo meu cliente se, muitas vezes, ele mesmo não sabe o que deseja?

A segunda fase do processo comercial orientado para valor é a do diagnóstico. Já abordamos esse tema em detalhes no artigo “Desvendando o significado do valor em vendas”, porém aqui irei trazer um foco mais orientado a um dos principais dilemas do processo comercial: como diagnosticar o valor almejado pelo meu cliente se, muitas vezes, ele mesmo não sabe o que deseja?
Existe uma frase bárbara atribuída a Henry Ford que tangibiliza muito bem a essência desse artigo. Ford sentenciava que “se tivesse perguntado aos clientes o que eles queriam, teria inventado um cavalo mais rápido”. Note que essa frase foi dita pelo responsável pela massificação de um dos produtos mais bem sucedidos em vendas de toda história dos negócios: o automóvel.
Considerando essa realidade, como entender o significado do valor para meus clientes se eles não sabem o que querem? Uma visão mais reducionista tende a sintetizar essa resposta em uma frase: não ouça seu cliente, baseie-se na sua intuição.
Mas será que esse é o caminho? Todos os casos comerciais bem sucedidos, só tiveram êxito porque atenderam a uma demanda silenciosa de seus consumidores. Na realidade, a saída está muito mais orientada à busca por novas formas de auscultar nosso consumidor do que pela decisão de não ouvi-lo. Muitas empresas têm seguido esse caminho como, por exemplo, a Unilever que popularizou uma forma de pesquisa dos hábitos do consumidor baseada na etnografia (método proveniente da antropologia), que tem como principal orientação a busca pela “visão de dentro” de determinada comunidade.
Com esse foco a Unilever tem se dedicado a internalizar seus executivos nas comunidades e lares de seus principais consumidores. O autor C.K.Prahalad estudou um dos casos originários dessa prática, que aconteceu na Índia, e traz boas referências sobre como um diagnóstico adequado tem potencial para gerar uma estratégia comercial diferenciada e vencedora.
Refiro-me ao reposicionamento do sabonete Lifebuoy no país, liderado pela subsidiária da companhia na região, a Hindustan Lever. O principal desafio do produto consistia em chegar a mercados inexplorados, compostos por consumidores de baixíssima renda de Bangladesh. Realizada essa segmentação, o próximo passo consistiu em fazer um diagnóstico que permitisse entender exatamente o que esse público valorizaria em um produto com essas características.
No processo de observação atenta do cotidiano dessas pessoas em suas comunidades foi identificado um aspecto que transformou-se na grande oportunidade para a companhia. Uma das doenças que causa mais impacto a comunidades carentes na Índia é a diarréia (30% dos casos de morte pela doença no mundo acontecem no país). A letalidade da doença pode ser eliminada com um gesto bastante simples: lavar as mãos.
Baseado nessa informação e considerando sua relevância para a vida destas pessoas, a Unilever desenvolveu uma estratégia orientada a diminuir o impacto dessa doença por meio de seu produto. O primeiro passo foi o desenvolvimento de um produto com um poder bactericida maior do que o convencional. Em paralelo, a companhia aliou-se a ONGs da região para investir em campanhas sobre a conscientização de se lavar as mãos.
Faltava ainda o mais importante: como fazer com que os produtos chegassem às mãos dos consumidores (literalmente). É aí que entra outra ação estratégica de extremo valor baseada no diagnóstico preciso da rotina de seu público-alvo. A Unilever identificou que nessas comunidades existe um agente de extrema importância: a mulher. Via de regra, toda comunidade conta com uma líder que tem acesso a praticamente todas as famílias, oferecendo amparo e auxiliando nas necessidades mais cotidianas.
Tendo essa visão, a companhia desenvolveu um modelo de vendas diretas porta a porta (similar ao popularizado pela Avon), tendo como principal agente justamente essas mulheres líderes em suas comunidades. Com isso a organização conseguiu entregar dois valores importantes para estes personagens: por um lado o produto tem como foco erradicar uma doença que causa um impacto profundo nas comunidades; por outro, gerou uma nova fonte de renda a esses cidadãos, fundamental para sua sobrevivência.
Estima-se que um universo de 13.000 mulheres já atinja 50.000 vilas em 12 Estados indianos com essa abordagem. Cerca de 15% do total de vendas rurais da companhia já são de responsabilidade desse canal.
Note que tudo teve início com um entendimento apurado do universo do cliente almejado, aliado a uma visão acerca de suas demandas. Será que se a companhia tivesse perguntado diretamente a esses consumidores qual era o desejo deles, eles teriam verbalizado a solução dessa forma? Muito possivelmente não.
Para realizarmos diagnósticos de valor apurado não basta ouvimos nosso cliente. É fundamental entrarmos no seu universo e enxergarmos o mundo com seus olhos. Não se trata de tarefa fácil, porém é fundamental a busca por caminhos que tenham esse foco.

Por Sandro Magaldi (diretor comercial da HSM do Brasil, Professor da ESPM e autor do livro Vendas 3.0 – Uma nova visão para crescer na era das ideias. Visite seu blog: www.sandromagaldi.com.br)

Fonte: HSM

Opinião: Cristiane Vöhringer CCZ.

20 de novembro de 2009  |  por Stachon |  Publicado em Atendimento

Texto completo enviado por Cristiane Vöhringer da CCZ para o GPA. Recado aos veículos.

***

Olá Equipe GPA!

Em primeiro lugar, parabéns pela iniciativa e pelo evento de lançamento! Desejo muito sucesso!

Vislumbrando o desenvolvimento potencial que o trabalho do GPA poderá proporcionar ao mercado paranaense, gostaria de deixar uma pequena participação, sugerindo um tema pontual para ser abordado no decorrer: o papel dos profissionais de atendimento dos veículos de comunicação.

A disputa por uma fatia da verba do anunciante está cada vez mais acirrada. Em mercados como o paranaense, o bolso do cliente é um só e tem tamanho restrito, logo, não há concorrência delimitada quando fala-se em ações de marketing. E a cada poucos meses, surgem mais canais.
Este é o cenário, seja o veículo mais clássico ou inovador. Cabem aqui questões como a reinvenção dos negócios, a adaptabilidade, a inclusão da tecnologia, a sintonia com as tendências do mercado.

Assim como o atendimento de agência teve sua maturação (registrada pelo Boralli na palestra), as mudanças do mercado exigiram (e vem exigindo) uma evolução do profissional representante do veículo. Mesmo numa esfera menor, o próprio entendimento do planejamento está presente, vez que cabe ao executivo dominar seu serviço e entender de negócios para poder levar oportunidades direcionadas.

Outra realidade é a venda com sentido de consultoria. Ouvir o cliente e ter os serviços moldados a partir das necessidades do mercado já é até clichê. Porém, quando colocamos esta questão na área da comunicação, o tema torna-se mais delicado.
O trabalho dos atendimentos de veículos é orientado pelas filosofias comerciais das empresas, que dependem mais da mentalidade de seus gestores do que do porte delas. Por exemplo, quando a ânsia pelo faturamento é maior que a preocupação em ser parte da solução de comunicação do anunciante alinhada com seu posicionamento,  cria-se um pelotão de executivos pressionados que assumem posturas e caminhos tortos em busca de pedidos. É a venda pela venda, que a médio prazo, não se sustenta. Afinal, por trás de um anúncio em um meio existe uma estratégia que monitora resultados.

Por fim, ainda temos o desafio dos relacionamentos, onde o ideal seria constituirmos um canal para que, tanto o veiculo consiga levar suas boas idéias como para a agência, tê-lo como parceiro de projetos.

Obs.: Atuei 10 anos no depto. comercial de veículos de comunicação aqui em Curitiba por isso faço esta sugestão de assunto, como uma formação / reciclagem para os profissionais.

Atenciosamente,

Cristiane Vöhringer

CCZ Comunicação

Mais Antigos


26 de fevereiro de 2010
Planejamento estratégico digital – Parte 1

por Minas | Leia | 1 Comentário

Comecei a trocar e-mails com o Felipe Morais no ano passado, assim que soube que ele estava prestes a lançar um livro sobre planejamento digital. De lá pra cá, mantivemos a troca de e-mails e iniciamos a de tweets. Também acompanho o seu blog e já tinha lido algumas de suas entrevistas para veículos digitais. [...]


10 de fevereiro de 2010
O ovo ou a galinha?

por Chris Monteiro | Leia | Sem Comentários

Uma discussão muito interessante, quase filosófica, sobre o planejamento e os efeitos da comunicação é a seguinte: até que ponto é possível planejar a viralização de mensagens e quanto dela acontece naturalmente?
Temos dezenas de livros que ensinam técnicas para encontrar as pessoas certas, montar ideias que se destaquem, atraiam e mantenham a atenção das pessoas, guias para [...]


5 de fevereiro de 2010
Que posicionamento de marca, que nada! Isso é negócio.

por Fabio | Leia | 1 Comentário

Gal Barradas*

Já ouvi milhões de conversas, li dezenas de artigos e livros sobre planejamento. E a impressão que eu tive é que quase todos eles falam em uníssono sobre o valor das marcas, sobre a construção das marcas, e quase nunca em vendas.

Tenho paixão pelas marcas, e por isso mesmo trabalho para mostrar [...]


2 de fevereiro de 2010
Era da imoderação

por Chris Monteiro | Leia | Sem Comentários

Excesso de informações, conexões, expectativas, demandas, novidades… como lidar com isso e administrar o tempo enquanto não aumentam as horas do dia?

Texto de Ronaldo Bressane

– Que eu faço? Meu filho me escancarava os olhos azuis fervilhando dúvidas. Era sexta-feira à noite, estávamos em casa relaxando depois de uma semana febril. Do meu lado, [...]


26 de janeiro de 2010
Planejamento. Por Raphael Barreto da DPZ.

por Stachon | Leia | Sem Comentários

Muito loco e muito correto, Raphael Barreto, em entrevista exclusivíssima ao Stasabendo.com
Lá vai:
RaphaBarreto é Diretor de Planejamento da DPZ. Antes, da Loducca. Antes disso, trabalhou na Carillo Pastore EuroRSCG e Ogilvy. Antes disso ainda, trabalhou em marketing na Sony, Aiwa e Champagne Veuve Clicquot. Antes Antes Antes, foi de office boy até empacotador de livros [...]


26 de janeiro de 2010
Com a Palavra: Carlos Vilela do CHMKT

por Stachon | Leia | Sem Comentários

Ilustre amigo mineiro Carlos H. Vilela, concedeu entrevista rápida e exclusiva do CHMKT ao Stasabendo.com. Grande centro de informações do mercado de comunicação, o site bomba de forma muito democrática, tornando o conteúdo interessante e fácil.
Perguntas para Carlos:
1. Seu blog é um dos mais visitados pelo mercado brasileiro de propaganda e marketing. Qual sua dinâmica [...]

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player

Arquivos

  • março 2010
  • fevereiro 2010
  • janeiro 2010
  • novembro 2009
  • outubro 2009
  • setembro 2009
  • agosto 2009
  • julho 2009
  • junho 2009
  • maio 2009
  • abril 2009

Tópicos recentes

  • Planejamento Estratégico Digital – parte 2
  • Planejamento estratégico digital – Parte 1
  • O ovo ou a galinha?
  • Que posicionamento de marca, que nada! Isso é negócio.
  • Era da imoderação

Meta

  • Registrar-se
  • Login
  • Posts RSS
  • RSS dos comentários
  • WordPress.org

Fotos

gpaparana posted a photo:gpaparana posted a photo:gpaparana posted a photo:gpaparana posted a photo:gpaparana posted a photo:gpaparana posted a photo:gpaparana posted a photo:gpaparana posted a photo:gpaparana posted a photo:gpaparana posted a photo:

Mais fotos no Flickr!

Autores

  • AbumnIntaboob
  • admin
  • Andressa
  • Arielliana
  • Bruno Milek
  • cassia
  • chervjakobenzopila
  • Chris Brum
  • Chris Monteiro
  • Daniela Leal
  • Daniella
  • fabiano pucci
  • Fabio
  • Favliano
  • FomZoortmub
  • gpaparana
  • Graziele
  • Heetsgreeme
  • Larissa
  • Lincoln Chaves
  • MelindaStrauss
  • michelle reffo
  • Minas
  • quelfriend
  • Renãn Serighelli
  • Stachon
  • veronica souza

Popular

  • PLANEJAMENTO DA COMUNICAÇÃO NÃO É PRIVILÉGIO DE GRANDE AGÊNCIA
  • O que anda acontecendo... posfácio
  • Futebol e planejamento (ou a arte de planejar o jogo)
  • Dissecando o planejamento
  • E-mail
  • Planejamento: Opinião do Stachon
  • Pesquisa Mundial Sobre o Trabalho dos Planejadores
  • Planner Survey 2009: Em busca de um capítulo brasileiro!
  • Oportunidades de mídia viral.
  • Opinião: Estamos nos tornando irrelevantes caçadores de prêmios
  • Blogroll

    • Advertising Age
    • APG
    • Magrelo Design Fera
    • Ceativity Online
    • Grupo de Planejamento de SP
    • Stasabendo
    • Trend Watching
    • Agosto Multimídia
    • Bigpicture Boston
    • Brainstorm 9
    • BrandRepublic
    • Clube de Criação PR
    • Click Market PR
    • GPA PR / Facebook
    • Fubiz
    • GAP RJ
    • The Guardian
    • Notcot
    • GPA PR / Orkut
    • SimViral
    • GPA PR / Twitter
    • Update or Die
    • Viral Video Chart

  • Últimos Tweets

      Posts por data

      março 2010
      S T Q Q S S D
      « fev    
      1234567
      891011121314
      15161718192021
      22232425262728
      293031  

      Comentários

      • André Damasceno em Planejamento estratégico digital – Parte 1
      • Lincoln Schultz em Que posicionamento de marca, que nada! Isso é negócio.
      • Renãn Serighelli em Oportunidades de mídia viral.
      • admin em Futebol e planejamento (ou a arte de planejar o jogo)
      • Geraldo Franca em E-mail

      ©2010 GPA Paraná - Desenvolvido por Agosto Multimídia